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Do Kart para o Jetski

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O portoalegrense Julio Cesar Silveira, o Kri Kri, passou por outros trabalhos antes de conhecer o Jetski. “Nos anos 80, comecei a trabalhar com motos. Em 84, comecei a trabalhar numa fábrica de chassis de kart, a Roma Kart, do Sr. Romanello. Comecei  a montar os chassis e depois passei a ajustá-los para as competições”.

 

Com o tempo, Kri Kri se formou mecânico da fábrica e passou a viajar pelo mundo acertando os chassis para os pilotos. E trabalhou para muita gente famosa: o ex-piloto de Fórmula 1 Alex Dias Ribeiro, o ex-piloto de Stok Car e atual chefe de equipe Almir Sater, de Brasília.   “Também ajustei kart para Christian Fitipaldi , Rubinho Barichello, entre outros, participando inclusive de campeonatos mundiais com o piloto Gustavo Romanello”.   .

Kri Kri, conta que conheceu o Jetski no final da década de 80, graças à liberação das importações pelo então presidente Fernando Collor de Melo. Depois de voltar de um mundial nos USA, ele já estava largando os karts e montando sua própria empresa de motos de grande cilindrada, chamada Giro Motos. "Na época, meu amigo Roberto Carlos Lunardeli, mais conhecido como Betinho, levava as motos para consertar na oficina. Ele comprou um Jet e eu pedi para que ele o deixasse em frente à minha loja para chamar a atenção, já que a loja era nova e precisava de clientela". E a estratégia deu certo. Como o equipamento era uma coisa nova, todo mundo parava para ver e Kri Kri se tornou conhecido como mecânico de Jet. Com o passar do tempo, começaram as manutenção e preparações. "Fui largando as motos e hoje agradeço muito ao Betinho, que me deu muita força, e também ao seu mecânico e preparador na época, o Sérgio Araújo, conhecido como Arara".

ESCOLA DA VIDA - Aos 46 anos, com 1,70m de altura e 70 kg, Kri Kri é casado e tem uma filha, Mainá, de 10 anos, que já anda de Jet. "O maior curso que fiz foram as experiências que fui adquirindo com estes 21 anos de manutenção e preparação de Jets. Quando iniciei, não existia um curso de qualificação". Ele revela que somente no ano passado foi convidado para fazer um curso na Yamaha do Brasil, onde passou 15 dias. "Foi a primeira vez que aprendi numa sala de aula. Nos tempos antigos, toda informação era adquirida pelas mãos, pela experiência". Sobre os motores de dois tempos de kart, o mecânico explica que funcionavam com válvula rotativa. "Eu já preparava estes motores no kart, que eram bem delicados e giravam em torno de 20 mil rpm. A gente não podia errar um diagrama de cilindro, pois se errasse podia colocar o cilindro fora". Na comparação com os motores de hoje, ele entende que não é necessário trabalhar muito no interior dos motores. "Gosto é de tirar o suco dos motores, trabalhando dentro da originalidade e com o que eles possuem de fábrica. Isto para mim é preparação e fico muito contente em ver que sou capaz". Ele explica que atualmente é fundamental ler muito e estar atualizado sobre os novos modelos. "Os motores quatro tempos são operados pela mecatrônica".

COMPETIÇÕES – Kri Kri conta que começou a pilotar em 1994. Foi piloto de Runaboat 800cc e Freestyle, mas foi obrigado a parar de correr depois que começou a preparar equipamentos para vários pilotos. "Não era justo eu preparar os Jets dos meus pilotos e correr e ganhar deles. Então achei melhor parar". Hoje ele se dedica a provas festivas e apresentações de Freestyle Runaboat, categoria na qual é o único piloto no país, com um Seadoo SPX 800cc. "A maior influência para pilotar veio da água, pois me sinto muito à vontade dentro dela. Faço coisas incríveis em cima de um Jet sentado". Ele é patrocinado pela própria empresa, Powered by KriKri, e pela Dimetil, de óleo bicombustível. No currículo traz 12 campeonatos gaúchos, cinco catarinense e um campeonato brasileiro.

LISTA DE PILOTOS – Atualmente, 11 pilotos correm com o nome Powered by KriKri. De Porto Alegre, Jose Pedro Block, Marcelo Dalbosco, João Mateus, Jeferson Sampaio, Roberto Costa, Lairton Monteiro, Tiago Thompson e Helisom Viana, além de Israel Pereira, de Guaíba, Angelo Marcelo Heineck, de Lajeado e Cristiano Magarão, da Bahia. Ele cita também pilotos com os quais já trabalhou anteriormente, como Jaibe Silva, Marcos Merlin Boff, Fernando Kasiski e Andrea Ilha, que "ganhava todas dos marmanjos e foi tri campeão gaucha em 1996, 1997 e 1998". E destaca vários pilotos gaúchos da atualidade que podem fazer bonito nas competições. "Este ano temos muitos pilotos novos, como o Lairton Monteiro, o João Mateus, o Helisom Viana, o Julio Gil, além dos demais pilotos que já vêm se destacado ao longo do campeonato".

KriKri conta que nas horas de lazer gosta de praticar aeromodelismo, helimodelismo, trilha de motos e passeios de Jet com a filha. "Mantenho a forma física com natação e gosto de uma boa sopa antes das refeições, além de muitas frutas". Ele destaca o papel fundamental do presidente da Associação Rio Grandense de Jetski, Antônio Augusto Ilha. "Se não fosse por ele, parte desta história e os campeonatos gaúchos não teriam acontecido. Parabéns e muito obrigado por tudo", finaliza.

 

*Entrevista concedida ao jornalista Marco Mallmann - MTb 8368 - Fone 98487412 - Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

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