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Rogério Schröder: do Motocross para o Jetski

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RogérioLargar o Motocross aos 21 anos, por se achar meio “enferrujado” para o esporte e sem tempo para treinar, fez com que Rogério Schröder começasse a praticar o Jetski. Dali para a primeira competição, na Lagoa do Peixoto em Osório, no ano de 92, foi um pulinho. E para os primeiros títulos também. “Fui várias vezes campeão gaúcho e catarinense, em diversas categorias. Mas sempre no Stand Up (jet em pé), já que naquela época andar de jet sentado era considerado coisa de bundão”, lembra este portoalegrense de 40 anos. O ano onde ele papou vários títulos foi o de 95, quando conquistou o gaúcho nas categorias Limit e Sênior e o catarinense nas categorias Limit e Especial.

 

 

 

AUGE - A década de 90 foi pródiga para o jetski. Havia uma quantidade maior de pilotos e o preço dos jets top de linha era bem inferior ao atual. “Chegávamos a ter 80 jets novos nas competições. Um Wave Rider 700 da Yamaha custava em torno de R$ 28 mil”. Rogério lembra algumas aventuras da época. “Participei de um arrancadão noturno em Imbé mesmo depois de já ter competido no motocross”, outra interessante corrida foi uma realizada em raia entre as ondas de Capão da Canoa, nesta vez ganhei 4 baterias”. E conta também incursões em águas internacionais: “Em 94, fui com o Paulo Ernesto Zamprogna, o Beto Lunardeli (Betinho) e o Diego Martinez (este último, na minha avaliação, o melhor piloto de Stand Up) participar de uma competição em Orlando, nos EUA. Tomamos o maior caldo dos gringos, mas em 96 o Zamprogna foi campeão mundial”. No mesmo ano, por falta de tempo para treinar, ele conta que largou as competições. “Caras como o Paulo Zamprogna, o Lourenço Zaluski, o Marcos Boff e o Diego Martinez eram sempre os primeiros no Brasil. Eles ficaram muito bons, treinavam e acabei me desmotivando”.




TRANSIÇÃO - Rogério reforça que um dos primeiros a andar de jet sentado no RS foi o Krikri, da oficina Powered by Krikri. “A gurizada achava que o Stand Up era mais rápido, mas acabamos vendo que o jet sentado  era possível andar bem mais rápido”. Aliado ao desenvolvimento tecnológico e à chegada do motor de quatro tempos, o preço do jet top de linha acabou ficando mais salgado. Hoje, o FX Cruiser SHO, custa R$ 65 mil. “O cara quer correr com o top, mas a grana pra isso muitas vezes é curta. Isso faz com que tenhamos hoje apenas uma média de 30 a 35 pilotos participando das competições, e a maioria com jets de mais de dez anos de uso”. O caminho para reviver o sucesso dos anos 90, segundo Rogério, seria a criação de uma categoria monomarca, completamente original. “Isto traria de volta os antigos pilotos, porque um jet com motorização igual possibilitaria a vitória ao melhor piloto, uma vez que todos os jets seriam iguais. Claro que alguns deles iriam tomar pau dos jovens, mas estariam de volta, sem dúvida”. e a de arrancadão com jet turbo como provas de que isso funciona. “São equipamentos de mesma potência o que dá chances iguais a todos”. Rogério destaca que o jet ideal para isto é o Yamaha VX 700, que custa em torno de R$ 27 mil, mas cujo custo de importação poderia ser barateado se houvessem um numero razoável de pessoas interessadas. Como exemplo ele cita a categoria turismo no automobilismo, onde se usam automóveis populares, o que possibilita a participação de mais pilotos devido ao custo mais baixo dos carros.



O RETORNO - A volta ao jet se deu por influência do amigo e também piloto Júlio Gil. “O Júlio incentiva, ajuda muito, chama pessoas para andar e participar dos passeios porque gosta de divulgar os esportes náuticos. Sem muita insistência voltei a andar em 2005. Hoje, quando vou pra marina, mesmo com as lanchas disponíveis lá, boto sempre o jet na água” Rogério não esquece de destacar outro incentivador das competições de Jet Ski: "O bom nível e o esforço da Associação Riograndense de Jet Ski (ARJS), através do presidente Ilha, tem sido fundamental para a realização do campeonato gaúcho e outros eventos do gênero".

 

NOME CONCEITUADO - A tradição da Yamaha no Rio Grande do Sul passa pelo nome Motoryama. Desde 1962, a família Schröder é proprietária da loja, que tem matriz em Porto Alegre e filial em Canoas, além de um escritório na Marina da Conga, no Ilha das Flores, as margens do Rio Jacui, na capital. Mas a paixão por lanchas, jetskis e tudo o que é capaz de se locomover com velocidade por sobre as águas, fez com que Rogério, além de assumir o comando dos negócios da família, inaugurasse, em 1996, a parte náutica da Motoryama. “Entre 1992 e 1999, a comercialização e o esporte do jetski tiveram um boom significativo. Depois, veio uma fase de desaceleração e, desde 2004, a venda reaqueceu”. Ele aponta as mudanças tecnológicas, com a introdução do motor quatro tempos, a redução das alíquotas de importação e a menor variação cambial, com a estabilização do preço do dólar, como os principais fatores de reaquecimento do mercado. “Durante a crise econômica mundial de 2008, com a variação cambial, tivemos outro período de queda nas vendas. Mas este momento negativo já foi superado”.

 

 

E se o negócio passou de pai para filho, a paixão pelas águas também. O pequeno Diego, de 4 anos, não dispensa uma boa volta de jet com o papai Rogério. “Ele me acompanhou num passeio de mais de uma hora e meia até a altura da rodoviária de São Leopoldo, no Rio dos Sinos. O jetski já está no sangue do guri”.


Entrevista concedida ao jornalista Marco Mallmann - MTb 8368

Fone: (51) 98487412

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